Sintra, Portugal – Doces de Pelotas, Neo-Manuelino e Mouros

A Quinta da Regaleira, transformada em um ícone de mistério e Romantismo pelo brasileiro Antônio Augusto Carvalho Monteiro

Os doces – com ovos, queijadinhas etc – são deliciosos. Os doces de Pelotas, (Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil), cidade do Rio Grande do Sul (Estado onde nasci e de onde vem minha família) são uma herança dos doces de Portugal e, principalmente, de Sintra, de imigrantes que séculos atrás se estabeleceram nessa cidade do Sul do Brasil e com eles levaram receitas divinas que até hoje fazem sucesso entre nós, gaúchos! O empenho das doceiras de Pelotas, que aprenderam receitas com suas mães, avós, bisavós, tataravós, resultando em doces de tão alta qualidade, ao ponto de levarem registro de qualidade…. Pois é.

Lá chegando, tomei um vinho da região Dão, que meu pai adorava, em homenagem a ele!  E os doces, claro: travesseiros de Sintra, queijadinha, doces com amêndoas, Dois locais que eu recomendo para provar os doces: Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa, tendo como especialidade as queijadinhas, e a Piriquita .

Após visitar o Palácio de Monserrate, nos arredores de Sintra, que em mim desperta interesse especial por conta da conexão com a Literatura Gótica, com um dos meus escritores favoritos (William Beckford), visitamos a cidade e seus palácios.

Sintra é uma cidade com um cenário maravilhoso, entre desfiladeiros, bosques e fontes de água. Tornou-se o refúgio favorito dos reis de Portugal durante o verão. O Palácio da Pena impressiona quando envolto pela névoa no alto da serra, marcando a paisagem – a qual compensa as longas caminhadas, subindo e descendo ruas íngremes.

Chama atenção particularmente a Quinta da Regaleira, palácio construído entre 1904 e 1910, por ser um festival de referências ocultistas e da Maçonaria. É obrigatório se você, assim como eu, se interessa por esse universo. Já há notícias da construção desde o século XVIII, mas foi transformada na configuração atual, avassaladoramente romântica, envolta em mistérios e lendas, por um brasileiro milionário e excêntrico, Antônio Augusto Carvalho Monteiro, herdeiro de uma notável fortuna proveniente do comércio de cafés e pedras preciosas.

É impactante o Castelo dos Mouros, erguido sobre a cidade antiga. Esse castelo mourisco do século X foi conquistado por Afonso Henriques em 1147. Antes disso, diversas populações árabes ocuparam a região. O que não é novidade.

O Palácio da Pena, uma mistura variada de estilos arquitetônicos, foi construído no século XIX pelo marido da rainha Maria II (filha de Dom Pedro I do Brasil – Dom Pedro IV para eles), Fernando Saxe-Coburgo-Gotha – que projetou pessoalmente vários de seus elementos.

Sintra ficou para sempre como um dos referenciais do Romantismo. Vale muito a pena visitar se você se interessa pelo Romantismo, a Literatura Gótica (e sua interação com o Orientalismo, tão presente na obra de William Beckford!!). A cidade é uma delícia à noite, com a vista do majestoso Castelo dos Mouros – para sempre controlando a cidade ^_~ Há uma série de cafés charmosos, até com referencia a Lord Byron. Nada mais justo: uma lembrança da inspiração de Byron com relação ao Palácio de Monserrate para o poema Childe Harold’s Pilgrimage.

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